sábado, maio 31, 2008
Esperar
Só custa a primeira vez.
Vem aliado à paciência e à tolerância.
Implica dar valor ao que realmente importa.
Não é assim tão difícil.
Traz consigo essa coisa de talvez ser feliz.
...é dar-nos uma oportunidade.
Lenny Kravitz - I'll be waiting
segunda-feira, maio 26, 2008
domingo, maio 25, 2008
Cartas a Ninguém
Lágrimas são combustível do sentimento. Aperto no peito, sinal do começo do fim. Enjoo , pressentimento de noites em vela. Olhos sem rumo, alma perdida.
Forças fraquejam, incertezas instalam-se, esperança desvanece. Procura de respostas é mote de pensamentos descarrilados. Saudade.
Sol nasce. Novo dia. Alma encontrada.
sábado, maio 24, 2008
Há coisa mais estupida e sem sentido...
Sim.
Não dar valor a alguém quando se tem esse alguém.
BECK - Everybody's got to learn sometime
segunda-feira, maio 19, 2008
Momentos III
domingo, maio 18, 2008
To someone special...
A rapariga que sabia demais
os Sentimentos eram pungentes e dilacerantes, nada era de animo leve, a sua intensidade levava-a onde raramente queria ir.
O mundo ficou diferente. A vida fazia um aparente sentido. Apareceu ele. As mensagens eram confusas. Os recados diários pareciam não ter fim. Sempre com a mesma expressão.
Nada mais parecia conhecido para a rapariga. Começou a acreditar que tudo o que acontecia, era por culpa própria, alguma coisa teria feito para desencadear tais reacções, só não conseguia recordar o quê exactamente.
Um dia estranhamente, acordou sozinha, olhou em redor, tudo apontava para o princípio do fim. Passava-lhe de um tudo pela cabeça.
E assim aconteceu, na fraca tentativa de sair da cama, a rapariga caía desfalecida no chão frio daquele quarto que antes tinha albergado o amor perfeito. As lágrimas caiam insistentemente pela sua face, o mundo parecia não fazer mais sentido...e assim permaneceu durante horas, fez-se noite e ela não conseguia levantar-se do mesmo sitio onde havia caído e chorava sem conseguir manter praticamente a respiração.
Dormiu ali. Mas enquanto os primeiros raios de sol apareciam tímidos por entre as cortinas, decidiu que tudo havia de passar, e que sozinha ia mostrar ao mundo que era forte...
Palavras para quê...
Arrastamos os dias através de horas, minutos, segundos, preocupados com leviandades que achamos terem toda a importância deste mundo e do outro, e não paramos nem por um momento a pensar que não somos nenhuma espécie de deus, que tufo sabe.
Nem nos apercebemos que o dia tem apenas 24 horas. E que para muitos ao final dessas horas a vida terminou e nós temos a sorte de estar vivos, sem questionar sequer porquê.
Provavelmente este discurso cheira a fatalismos e transpiração negação, mas de facto é apenas o pequeno desespero a falar. A contenção de quem já não consegue ser ele mesmo e tem que passar pelo mundo a fingir uma constante conformação e uma aparente calma, quando um conflito interior toma conta de nós próprios.
A Invenção do Amor
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor
Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústiaum cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com caracter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana
Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio
A descoberta
A estranheza de um sorriso natural e inesperado
Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterraneamente unidos pela invenção conjuntade um amor subitamente imperativo
Um homem e uma mulher um cartaz denuncia
colado em todas as esquinas da cidade
A rádio já falou
A TV anunciaiminente a captura
A policia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e nas avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta fechada para o mundo
É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique
Antes que a invenção do amor se processe em cadeia
Há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos
Chamem as tropas aquarteladas na província
Convoquem os reservistas os bombeiros os elementos da defesa passiva
Todos decrete-se a lei marcial com todas as consequências
O perigo justifica-o
Um homem e uma mulher
conheceram-se amaram-se perderam-se no labirinto da cidade
É indispensável encontrá-los dominá-los convencê-los
antes que seja tardee a memória da infância nos jardins escondidos
acorde a tolerância no coração das pessoas
Fechem as escolas
Sobretudo protejam as crianças da contaminação
uma agência comunica que algures ao sul do rio
um menino pediu uma rosa vermelha
e chorou nervosamente porque lha recusaram
Segundo o director da sua escola é um pequeno triste inexplicavelmente dado aos longos silêncios e aos choros sem razão
Aplicado no entanto Respeitador da disciplina
Um caso típico de inadaptação congénita disseram os psicólogos
Ainda bem que se revelou a tempo
Vai ser internadoe submetido a um tratamento especial de recuperação
Mas é possível que haja outros
É absolutamente vital
que o diagnóstico se faça no período primário da doença
E também que se evite o contágio com o homem e a mulher
de que fala no cartaz colado em todas as esquinas da cidade
Está em jogo o destino da civilização que construímos
o destino das máquinas das bombas de hidrogénio das normas de discriminação racial
o futuro da estrutura industrial de que nos orgulhamos
a verdade incontroversa das declarações políticas
...
É possível que cantem
mas defendam-se de entender a sua voz
Alguém que os escutoud
eixou cair as armas e mergulhou nas mãos o rosto banhado de lágrimas
E quando foi interrogado em Tribunal de Guerra
respondeu que a voz e as palavras o faziam feliz
lhe lembravam a infância Campos verdes floridos
Água simples correndo
A brisa das montanhas
Foi condenado à morte é evidente
É preciso evitar um mal maior
Mas caminhou cantando para o muro da execução
foi necessário amordaçá-lo e mesmo desprendia-se deleum misterioso halo de uma felicidade incorrupta
...
Procurem a mulher o homem que num barde hotel se encontraram numa tarde de chuva
Se tanto for preciso estabeleçam barricadas
senhas salvo-condutos horas de recolher
censura prévia à Imprensa tribunais de excepção
Para bem da cidade do país da cultura
é preciso encontrar o casal fugitivoque inventou o amor com carácter de urgência
Os jornais da manhã publicam a notícia
de que os viram passar de mãos dadas sorrindo
numa rua serena debruada de acácias
Um velho sem família a testemunha diz
ter sentido de súbito uma estranha paz interior
uma voz desprendendo um cheiro a primavera
o doce bafo quente da adolescência longínqua
Daniel Filipe
O humano em todos nós
Vivemos uma época de coisas rápidas e sem valores, coisas que não marcam.
Fazemos parte de uma geração que anda numa procura cega por um falso Graal, insatisfeitos na maioria das vezes por coisa nenhuma.
Não olhamos em volta.
Não procuramos nada.
Triste dito assim...Mas também somos humanos, os sentimentos movem-nos todos os dias, procuramos ser felizes. Uns conseguem mais que outros. é tudo uma questão de acreditar.
Viver todos os dias como se não houvesse amanhã.
Ver o sol a nascer e ver o começo de algo novo, um mundo de possibilidades, a luz que irá alumiar momentos marcantes e sorrisos sentidos. mostrar que somos capazes de tudo, e quando cai a noite, a lua, senhora de mistérios, aponta o caminho para os nossos desejos, tudo é possivel.
É só preciso acreditar
Vida Morna? Não Obrigado!
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Luís Fernando Veríssimo
E aprendemos...
Aprendemos a diferença subtil
Entre segurar uma mão
E acorrentar uma alma,
E aprendemos
Que o amor não significa deitar-se
E uma companhia não significa segurançaE começamos a aprender...
Que os beijos não são contratos
E os presentes não são promessas
E começamos a aceitar as derrotas
De cabeca levantada e os olhos abertos
Aprendemos a construir
Todos os seus caminhos de hoje,
Porque a terra amanhãÉ demasiado incerta para planos...
E os futuros têm um forma de ficarem
Pela metade.E depois de um tempo
Aprendemos que se for demasiado,
Até um calorzinho do sol queima.
Assim plantamos nosso próprio jardim
E decoramos nossa própria alma,
Em vez de esperarmos que alguém nos traga flores.
E aprendemos que realmente podemos aguentar,
Que somos realmente fortes,
Que valemos realmente a pena,
E aprendemos e aprendemos...
E em cada dia aprendemos.
Jorge Luis Borges
Quem abriu a CAIXA DE PANDORA!?
Mas de facto quase 30 anos depois o cansaço começa a apoderar-se de mim em forma de um manto espesso que invade as entranhas e me apaga a alma, me arranca o sorriso e anestesia a vontade.
O verde dos meus olhos denuncia um vazio. A minha expressão é pesada, acentuando as características olheiras que o mundo em volta facilmente percebe.
Nunca a expressão “desistir” foi tão clara na minha mente. Algo que nunca fez parte do meu vocabulário é agora uma constante, é como uma má música que fica no ouvido e teima em surgir nas alturas mais estranhas.
Em pleno Séc. XXI, nunca assisti a tanta maldade, pessoas tão vis e tão corruptas que mereciam que alguma forma de inquisição voltasse para as acusar em praça pública, simplesmente por crimes contra a humanidade, contra agressões verbais a outros seres humanos.
A luta por algo bom e que valha realmente a pena, começa a ser questionável, os dias são longos, as horas parecem abismos... a impotência é nítida e incontrolavel, o mundo é cru, seco, desprovido de sentimentos.
Uma certeza apenas, há que ser mais forte e continuar a lutar, não sei por quanto tempo, mas será o tempo que o corpo e o espirito permitam e me levem ao meu caminho.
Como canta Morrisey...”There’s a light that never goes out”
Medo? Medo de quê?!
Medo de tanta descoberta e tão pouco tempo.
Do dia que nasce e consigo traz o sol mais radioso? Não.
Medo de não poder aproveitar o calor que me aquece a pele e me revigora.
Da gargalhada solta no momento mais improvável? Não.
Medo de não poder sentir mais o tremor do meu corpo ao estridor do seu som.
Do palpitar rápido do coração e das borboletas no estômago? Não.
Medo de perder para sempre a capacidade de sentir essa sensação.
De caminhar e sentir o olhar penetrante que me observa? Não.
Medo de nunca mais sentir o êxtase de me sentir desejada.
De deixar de ser eu mesma, para ser uma espécie de autómato robótico? Não.
Medo de ser tão autêntica e de perder isto para um mundo de cinismo e falsas verdades.
De ser feliz? Não.
De não ter tempo para a felicidade entrar.
Das incertezas? Não.
Medo de demasiadas certezas que matam o tão desejado efeito surpresa.
Da falta de sentimento? Não.
Medo de abraços ocos e beijos feitos de nada.
Que todas as luzes se apaguem? Não.
Medo que nesse dia a lua decida fugir também.
De viver? Não.
Medo para não ter tempo de viver tudo...
Dos “tudos”? Não.
Medo dos “tudos” que em nadas se transformam.
De olhares fugídios? Não.
Medo de abismos sem fundo nem esperanças.
De falsas promessas? Não.
Medo de verdadeiras expectativas. Do escuro?
Não. Medo daquilo que a luz traz consigo.
Medo de quem tem medo??? Não.
Isso são desafios!
De perder? Não.
Medo de ficar “sem” e de nada fazer por isso não acontecer.
De batalhas perdidas? Não.
Medo de não saber desistir e travá-las sem espada nem armadura.
De chorar? Não.
De perder a capacidade de sentir o bom e o mau, a dor e o prazer.
Da beleza do mundo? Não.
Medo de não conseguir aprecia-la toda por inteiro.
MEDO?!NÃO!AUTENTICIDADE?!SIM!DESISTIR?!NUNCA!SER FELIZ?!
É uma promessa.
MEDO=
M= Morfologia
E= Estranha
D= Definitivamente
O= Obsoleta
Complicadíssima Teia
Facilmente se embaraça
Na vil comédia do amor;
Não vale a pena ter alma
Porque o melhor é andarmos
Mentindo seja a quem for
Gosto de saber que vives,
Mas não perdi a cabeça
Nem corro atrás do desejo;
Quem se agarra muito ao sonho
Vê o reverso da vida
Nos movimentos dum beijo.
Ando queimado por dentro
De sentir continuamente
Uma coisa que me rala;
Nem no meu olhar o digo
Que estes segredos da gente
Não devem nunca ter fala.
Talvez não saibas que o amor,
Apesar das suas leis,
Desnorteia os corações;
- Complicadíssima teia
Onde se perde o bom senso
E as mais sagradas razões.
Composição: António Botto
interprete: CAMANÈ
Será que o olhar mata?!
Fraqueja.
Mostra o que não se quer ver.
Mata quando desaparece.
Quando é miúpe, falso, por trás de lentes escuras.
Pois nada é aquilo que parece.
E os olhos são o espelho da alma, que se esconde nos reflexos de um verde que brilha com o lacrimejar de alguém que vê, olha e nada se lhe mostra.
A Espera
Que imediatamente se fecha, para deixar entrar o breu da tristeza e da falta da voz, que se silencia pela falta de luz, que alimenta o sentimento.
Pode ser o que nos corrói as entranhas e nos mancha a felicidade, chegando a matar a vida, a vontade.
Um Nada
De um Nada, nasce um sentimento, uma ideia, um projecto, que mostra o caminho para um Tudo.
Nada é como antes.
A vida é feita de pequenos Nadas.
E de pequenos, grandes Nadas se alimenta a alma, a vida, o Tudo.