Hoje já quase que parece amanhã.
Antes de ontem foi há anos atrás.
O que acontece agora já era.
Os minutos há muito que são horas.
Amanhã é hoje.
O que fomos não somos mais.
O sonho toma conta do tempo.
Agora é nunca mais.
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segunda-feira, novembro 10, 2008
sábado, agosto 30, 2008
“Coração” Aluga-se
Disponível “coração” soalheiro, com vistas para rio de possibilidades e jardim com flores raras, vindas de paragens longínquas, entre as quais se encontram espécies raras, a precisar de cuidados. Áreas bastantes espaçosas, algumas delas a precisarem de pequenas obras, outras passíveis de ampliação, tudo dependente da imaginação e empenho de cada um.
Procura-se, para sua ocupação, inquilino com tempo e disponibilidade para limpezas, aptidão para renovar espaços e gosto especial por decoração minimalista, não simples, mas eficaz e bela.
Procura-se, para sua ocupação, inquilino com tempo e disponibilidade para limpezas, aptidão para renovar espaços e gosto especial por decoração minimalista, não simples, mas eficaz e bela.
segunda-feira, junho 30, 2008
Labirinto
Porta aberta. Entrou. Muita confusão, paredes de cores e cheiro a jasmim. Um corredor estreito, a claustrofobia tomava conta de si, mas a curiosidade era mais forte.
Torrente de sentimentos. Passos apressados, paredes estreitas, vários caminhos a seguir, escolhas a fazer, sinais difusos, o mundo fecha-se, corredores infindáveis.
Ao fundo avista duas portas, dois caminhos. Eis o momento de escolher e abrir uma delas sabendo que ambas não tinham retorno.
Porta preta, escura, com cheiro a mofo e a tristezas, gasta pelo sol, a precisar de renovação. Sensação de perda, tristeza.
Porta laranja, luminosa, quente, cheiro a flores e laranjas. Sorriso fácil, borboletas no estômago.
O seu instituo desconfia. Certezas fraquejam. Tudo é diferente. Não reconhece.
Tocou ambas, sentiu a rugosidade da preta em detrimento da sensação aveludada da segunda, chegando mesmo a encostar-se. A escolha tornava-se óbvia.
Abre a medo a porta laranja e entra.
Torrente de sentimentos. Passos apressados, paredes estreitas, vários caminhos a seguir, escolhas a fazer, sinais difusos, o mundo fecha-se, corredores infindáveis.
Ao fundo avista duas portas, dois caminhos. Eis o momento de escolher e abrir uma delas sabendo que ambas não tinham retorno.
Porta preta, escura, com cheiro a mofo e a tristezas, gasta pelo sol, a precisar de renovação. Sensação de perda, tristeza.
Porta laranja, luminosa, quente, cheiro a flores e laranjas. Sorriso fácil, borboletas no estômago.
O seu instituo desconfia. Certezas fraquejam. Tudo é diferente. Não reconhece.
Tocou ambas, sentiu a rugosidade da preta em detrimento da sensação aveludada da segunda, chegando mesmo a encostar-se. A escolha tornava-se óbvia.
Abre a medo a porta laranja e entra.
segunda-feira, junho 23, 2008
Ram-ram
Onomatopeia que define a nossa existência. Que mostra como somos humanos, pequenos, fracos, falíveis
Vinte e quatro horas de previsibilidade. As mesmas expressões cansadas, ponteiros sempre colocados nas horas certas, seguir os mesmos caminhos, pisar as mesmas pedras.
Sentir o mundo a fechar-se á nossa volta.
Consigo morre todos os dias um pouco da nossa alegria.
Vinte e quatro horas de previsibilidade. As mesmas expressões cansadas, ponteiros sempre colocados nas horas certas, seguir os mesmos caminhos, pisar as mesmas pedras.
Sentir o mundo a fechar-se á nossa volta.
Consigo morre todos os dias um pouco da nossa alegria.
«É natural que tenhas medo que te apanhem. A guerra continua tão estranha. Dum dia para o outro, já não sabemos que esperar. Tomamos os comprimidos, como todos os outros, só que o efeito é o contrário do que pretendemos. Nós queríamos ser felizes. Ninguém nos acompanha nisto. A noite desce como um pano. As pessoas desaparecem, como se fossem para casa. Não temos maneira de saber o que está certo. Dou-te as flores de onde vim, que vieram comigo, que atravessaram o mundo não se sabe bem porquê. Os teus olhos continuam iguais. É preciso insistir. Não fazemos diferença um do outro. Percorremos distâncias enormes, junto dos faróis e dos comboios, com a música muito alta, sem dizer nada que nos interesse. Não nos conhecemos. Nunca seremos interessantes. O carro precipita-se em vez de nós. A paisagem substitui as nossas caras.
Eu gostaria tanto de amar-te. Quando te tomo nos meus pensamentos, vai a noite escura ao largo da gente e das árvores, e eu penso que a minha alma te pertence. Pudera eu, meu amor, ou lá o que és, que pudesse pertencer a alguém.»
Miguel Esteves Cardoso in "O Amor é Fodido"
Eu gostaria tanto de amar-te. Quando te tomo nos meus pensamentos, vai a noite escura ao largo da gente e das árvores, e eu penso que a minha alma te pertence. Pudera eu, meu amor, ou lá o que és, que pudesse pertencer a alguém.»
Miguel Esteves Cardoso in "O Amor é Fodido"
domingo, junho 22, 2008
Coisas
Todo o bem material é secundário. Mas existem Coisas que se revelam importantes. Coisas que fazem de nós quem nos somos. Coisas que nos mostram sentimentos. Objectos espalhados por lugares estratégicos.
São coisas que deixam de ser coisas para serem tudo aquilo que nós quisermos.
São coisas que deixam de ser coisas para serem tudo aquilo que nós quisermos.
segunda-feira, junho 16, 2008
Direi muito. Mas nunca direi saudade.
Pelo azar de ser verdade. Por nunca acreditar na verdadeira ausência.
Pelo seu sentido único. Impossível fugir ao seu significado e à sua essência.
Preciso é acreditar que distâncias são caminhos sempre com um destino.
Nunca fugir por não achar, mas sim encontrar-nos na procura.
Pelo seu sentido único. Impossível fugir ao seu significado e à sua essência.
Preciso é acreditar que distâncias são caminhos sempre com um destino.
Nunca fugir por não achar, mas sim encontrar-nos na procura.
Velhos Diários
Páginas soltas, perdidas em horas já passadas, dias longínquos, cheios de memórias, linhas de alegrias, desesperos. Manchados de lágrimas e vinho.
Cheiram a tragédias e a novos começos. Fieis ajudantes de memórias perdidas e de desejos vãos.
Abrigam as pessoas que já fomos e as que sempre quisemos ser. São forças de expressão de dores e momentos felizes esquecidos, mas celebrados, revividos e saboreados nas suas páginas.
Fazem parte de nós.
Cheiram a tragédias e a novos começos. Fieis ajudantes de memórias perdidas e de desejos vãos.
Abrigam as pessoas que já fomos e as que sempre quisemos ser. São forças de expressão de dores e momentos felizes esquecidos, mas celebrados, revividos e saboreados nas suas páginas.
Fazem parte de nós.
Viajamos no tempo, no seu tempo.
Acreditamos em mudanças.
Porque do velho se faz novo.
domingo, maio 25, 2008
Cartas a Ninguém
Embebida com o cheiro a ópio e menta, a mente viaja e o espirito dispersa, a tristeza instala-se. Nada a fazer. A dor é senhora e rainha. O sorriso morre.
Lágrimas são combustível do sentimento. Aperto no peito, sinal do começo do fim. Enjoo , pressentimento de noites em vela. Olhos sem rumo, alma perdida.
Forças fraquejam, incertezas instalam-se, esperança desvanece. Procura de respostas é mote de pensamentos descarrilados. Saudade.
Sol nasce. Novo dia. Alma encontrada.
Lágrimas são combustível do sentimento. Aperto no peito, sinal do começo do fim. Enjoo , pressentimento de noites em vela. Olhos sem rumo, alma perdida.
Forças fraquejam, incertezas instalam-se, esperança desvanece. Procura de respostas é mote de pensamentos descarrilados. Saudade.
Sol nasce. Novo dia. Alma encontrada.
domingo, maio 18, 2008
A rapariga que sabia demais
... Desde tenra idade todos lhe diziam para acreditar nos seus pressentimentos, isso assustava-a.
os Sentimentos eram pungentes e dilacerantes, nada era de animo leve, a sua intensidade levava-a onde raramente queria ir.
O mundo ficou diferente. A vida fazia um aparente sentido. Apareceu ele. As mensagens eram confusas. Os recados diários pareciam não ter fim. Sempre com a mesma expressão.
Nada mais parecia conhecido para a rapariga. Começou a acreditar que tudo o que acontecia, era por culpa própria, alguma coisa teria feito para desencadear tais reacções, só não conseguia recordar o quê exactamente.
Um dia estranhamente, acordou sozinha, olhou em redor, tudo apontava para o princípio do fim. Passava-lhe de um tudo pela cabeça.
E assim aconteceu, na fraca tentativa de sair da cama, a rapariga caía desfalecida no chão frio daquele quarto que antes tinha albergado o amor perfeito. As lágrimas caiam insistentemente pela sua face, o mundo parecia não fazer mais sentido...e assim permaneceu durante horas, fez-se noite e ela não conseguia levantar-se do mesmo sitio onde havia caído e chorava sem conseguir manter praticamente a respiração.
Dormiu ali. Mas enquanto os primeiros raios de sol apareciam tímidos por entre as cortinas, decidiu que tudo havia de passar, e que sozinha ia mostrar ao mundo que era forte...
os Sentimentos eram pungentes e dilacerantes, nada era de animo leve, a sua intensidade levava-a onde raramente queria ir.
O mundo ficou diferente. A vida fazia um aparente sentido. Apareceu ele. As mensagens eram confusas. Os recados diários pareciam não ter fim. Sempre com a mesma expressão.
Nada mais parecia conhecido para a rapariga. Começou a acreditar que tudo o que acontecia, era por culpa própria, alguma coisa teria feito para desencadear tais reacções, só não conseguia recordar o quê exactamente.
Um dia estranhamente, acordou sozinha, olhou em redor, tudo apontava para o princípio do fim. Passava-lhe de um tudo pela cabeça.
E assim aconteceu, na fraca tentativa de sair da cama, a rapariga caía desfalecida no chão frio daquele quarto que antes tinha albergado o amor perfeito. As lágrimas caiam insistentemente pela sua face, o mundo parecia não fazer mais sentido...e assim permaneceu durante horas, fez-se noite e ela não conseguia levantar-se do mesmo sitio onde havia caído e chorava sem conseguir manter praticamente a respiração.
Dormiu ali. Mas enquanto os primeiros raios de sol apareciam tímidos por entre as cortinas, decidiu que tudo havia de passar, e que sozinha ia mostrar ao mundo que era forte...
Vida Morna? Não Obrigado!
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Luís Fernando Veríssimo
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Luís Fernando Veríssimo
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